Quem passou pelo período de hiperinflação dos anos oitenta e noventa se lembra do “dragão da inflação”, metáfora que a mídia e a população elegeram para representar o acelerado processo de perda do poder de compra de nossa moeda naquela época.

A boa notícia é que a hiperinflação foi domada no início dos anos noventa com o Plano Real. A má notícia é que, nos últimos anos, com o acesso mais fácil ao crédito e o aumento de valor do real em relação às demais moedas do mundo, a inflação está voltando a dar preocupantes sinais de vida. Tudo bem que, comparada à selvageria dos anos oitenta, a inflação de hoje está muito mais para uma “lagartixa raivosa” do que para um dragão. Mas de qualquer forma, a população já começa a sentir na pele que a vida está ficando mais cara e o dinheiro já não está mais comprando aquilo que comprava até pouco tempo.

É hora de começar a pensar seriamente em adotar medidas defensivas para não deixar nosso padrão de vida ser corroído por uma eventual aceleração do processo inflacionário. Em situações como essa, uma recomendação básica é fazer muitas pesquisas e procurar estabelecimentos que cobram preços mais baixos, mas tão logo o resto das pessoas descubra onde estão as ofertas, os preços tendem a se nivelar com o que já é praticado no mercado (afinal, se a demanda cresce, o preço sobe… simples assim), e isso acontece ainda mais rápido em tempos de internet.

O aumento da inflação exigirá, desta vez, mais do que simples pesquisas de preços. Será preciso adotar medidas para deixar a vida mais simples para que se possa usar o dinheiro de forma eficiente e, assim, preservar ao máximo os recursos e a qualidade de vida.

Simplifique seu transporte

De um ponto de vista estritamente financeiro, está cada vez mais difícil e desvantajoso ter um carro. Veja o próprio preço dos carros no Brasil (ridiculamente altos pelos padrões internacionais), seguros, combustível, impostos, estacionamento, multas, pedágios, “inspeções veiculares” e outras coisas do gênero…

Quando se mora em um grande centro urbano e se coloca “na ponta do lápis” as despesas com transporte e locomoção, fica cada vez difícil justificar a posse de um automóvel.

Se você puder, livre-se de seu carro. Use taxis, transporte público e meios alternativos. Sei que algumas coisas são muito fáceis de falar e difíceis de fazer (eu mesmo não consigo abrir mão do carro), mas se você tiver condições de viver sem um automóvel, faça-o. Seu bolso, o trânsito e o meio-ambiente agradecem.

Simplifique sua casa

Cada móvel e cada objeto de decoração em sua casa é um obstáculo a mais para uma vassoura ou aspirador de pó. Simplifique seu ambiente doméstico para que a manutenção fique mais rápida e fácil, e envolva todos que moram em sua casa nessas tarefas.

Você tem empregados domésticos? Então se prepare para usá-los com menor frequência, ou mesmo para não tê-los. Com a ascensão econômica das classes menos favorecidas, empregados domésticos estão virando algo cada vez mais difícil de encontrar (e mais caro). A tendência é que, assim como nas economias desenvolvidas, empregados domésticos sejam um luxo para poucos e que maioria das pessoas seja responsável por limpar a própria sujeira.

Simplifique sua saúde

Gastos com remédios e tratamentos complexos de saúde são “quebradores” clássicos de orçamentos familiares, por isso dê maior ênfase à medicina preventiva e adote hábitos mais saudáveis.

Procure por ineficiências e gastos desnecessários nessa área. Você está pagando a academia e não vai regularmente? Corte já! Vá se exercitar de outra forma (de preferência gratuita). Você gasta “rios de dinheiro” com cosméticos caros e tratamentos estéticos? Vá ao médico e discuta com ele sobre o que é comprovadamente eficiente e o que é desnecessário (ou até mesmo nocivo).

Simplifique seu guarda-roupa

Cuidado coma tentação das grifes caras e as compras impulsivas. Estabeleça para si mesmo um número máximo de peças de roupas: “tantos” sapatos, “tantas” calças e por aí vai…

Faça uma análise honesta das suas necessidades, considerando situações sociais, profissionais, de lazer etc, e estabeleça, por exemplo, quantos sapatos de cada tipo você precisa. Comprometa-se a ter apenas aquela quantidade, nem um a mais. Para um novo item entrar em seu guarda-roupa, outro terá que sair. A dor de ver coisas que você comprou, mal usou e está sendo obrigado a jogar fora para abrir espaço provavelmente inibirá seus impulsos consumistas no futuro.

Simplifique a tecnologia

Esqueça os gadgets caríssimos e cheios de funções (que você nunca usará) e concentre-se naquilo que você realmente precisa e que vai facilitar sua vida. Paga-se caro demais por tecnologia de ponta, pois é necessário amortizar os custos de desenvolvimento dos produtos novos. A não ser que seja estritamente necessário e sua vida, de alguma forma, dependa disso, não compre produtos recém-lançados. Esqueça os modismos e espere os preços caírem.

André Massaro
Educador financeiro e especialista em finanças pessoais
Autor dos livros “MoneyFit” e “Por dentro da bolsa de valores” (Matrix Editora)
www.andremassaro.com.br
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Twitter: @andremassaro