Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 05/07/2017
Por: André Massaro
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Você já deve ter ouvido, de muitos experts em finanças, que é importante ter um “objetivo” ao investir.

Para entender a importância dessa recomendação, precisamos voltar alguns anos no tempo. Bem, na verdade, precisamos voltar bem mais que isso… Talvez um ou dois milhões de anos, ao Paleolítico, que é aquele período em que o “Homem virou Homem”.

Não se sabe, exatamente, quanto tempo vivia um típico homem paleolítico. Alguns restos mortais já encontrados mostram que algumas pessoas chegavam a viver mais de 50 anos, mas a expectativa de vida média não devia passar dos 20 anos, principalmente por conta da alta mortalidade infantil.

Bem, hoje, em grande parte das economias desenvolvidas, as pessoas já vivem, em média, mais de 80 anos… sendo que fomos “projetados” para viver 20!

“Investir”, num contexto de finanças pessoais, significa sacrificar o uso do dinheiro no momento presente (seria o ato de poupar seguido do ato de investir) para assegurar a disponibilidade de reservas financeiras no futuro. Ou, então, para podermos fazer, no futuro, algo que exija uma certa quantia de dinheiro acumulada.

Ou seja, “investir” é algo que está, intrinsecamente, ligado ao conceito de “futuro”. E “futuro” é um conceito estranho à natureza humana, pois fomos “projetados de fábrica” para não termos um futuro (bem… não se pode dizer que uma criatura com expectativa de vida de 20 anos tenha um “futuro brilhante” pela frente…).

Nossos antepassados não pensavam no futuro – eles viviam “um dia de cada vez”. O foco era no curto prazo, na sobrevivência, em “viver o dia de hoje”. Pensar no longo prazo, quando se vivia tão pouco, era um exercício de futilidade. E essa ênfase no curto prazo acabou virando uma estratégia evolutiva vencedora, tanto que nós, como espécie, sobrevivemos e prosperamos.

O Ser Humano não foi extinto, a sociedade evoluiu e a expectativa de vida aumentou. E aqui estamos nós, vivendo quase cem anos, mas tendo, essencialmente, a mesma mente dos nossos antepassados paleolíticos, com foco no curto prazo e na gratificação imediata.

Para as nossas “mentes primitivas”, não existe o conceito de “longo prazo”. Os nossos impulsos são imediatistas, Carpe Diem (“agarre o momento”)!

Deixar de usar os nossos recursos no momento presente, para ter mais conforto “amanhã”, não é algo natural para nós, pois, ao longo de milhares de gerações, vivemos com foco em sobreviver ao “hoje” (e o amanhã… bem, amanhã a gente resolve!). Por isso, a única forma de dominar essa tendência de “gastar tudo agora” é tendo um objetivo bem definido, que gere uma motivação suficientemente forte para conseguir deter um impulso da Natureza. Sim, porque esse impulso “gastador” não é uma coisa individual (apesar de ser mais exacerbado em uns do que em outros), é uma coisa de nossa natureza – de nossa espécie!

Sem um objetivo forte (forte o suficiente para lutar contra a Natureza) temos dificuldade em investir com regularidade. O investimento acaba virando como aquelas famosas “dietas”, que a gente faz por uma semana, duas… e depois viram avacalhação… pois não conseguimos nos comprometer com aquela visão que está “lá na frente”.

Por isso, para assegurar o seu sucesso nos investimentos, ANTES de definir sua estratégia de investimentos (que é um outro passo – e bastante difícil, diga-se de passagem…), defina os seus objetivos. Alguns objetivos populares são a aquisição de bens de alto valor, a aposentadoria (que pode ser uma aposentadoria precoce ou “em grande estilo”) e a formação de uma reserva de emergência (para garantir tranquilidade em momentos de turbulência).

Lembre-se de que o seu objetivo precisa ser suficientemente forte e motivador, pois ele vai ter que lutar contra a própria natureza humana, “forjada” ao longo de milhões de anos.