Os (verdadeiros) perfis de investidor

Postado por em jul 27, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 27/07/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. Como o leitor já deve saber, existem três perfis básicos de investidor (ou “perfis de risco”): O conservador, o moderado e o agressivo. A definição desses perfis é altamente relacionada àquilo que chamamos de “tripé dos investimentos”, que são os três fatores “fundamentais” utilizados na análise de um investimento: A Liquidez, a segurança e a rentabilidade (sempre lembrando que a liquidez está associada à disponibilidade do dinheiro; a segurança, ao risco; e a rentabilidade, ao retorno potencial). A “pegadinha” desses três fatores é que eles nunca estão presentes, em altos níveis, ao mesmo tempo (isso está associado à “lei da oferta e da demanda”). Ou seja, um investidor, no seu processo de decisão, sempre precisará abrir mão de pelo menos um desses fatores. Então, presume-se que o investidor conservador é aquele que prioriza liquidez e segurança, abrindo, assim, mão de um retorno maior. O moderado aceita um pouco mais de risco, abrindo um pouco mais mão de liquidez e segurança, em favor de um retorno potencial um pouco maior. Já o agressivo é aquele que prioriza o retorno. No caso do investidor agressivo, geralmente se presume que é um investidor mais experiente, com mais dinheiro (então, pode abrir mão de liquidez imediata) e que tem uma maior tolerância a perdas (o investidor agressivo encara perdas como “percalços” rumo a um objetivo maior no futuro). Esses são os perfis básicos. Aqueles que sempre aparecem na literatura e nos famosos “testes de suitability” das instituições financeiras. Porém, existem pelo menos seis perfis diferentes. Abaixo do conservador, podemos dizer que existe o “superconservador”. O perfil superconservador é uma coisa que veio do universo dos fundos de pensão, e tem uma história muito curiosa: Esse perfil foi definido num período de alguns anos, quando as taxas de juros caíram bastante e os títulos prefixados (ou indexados à inflação, que se comportam de maneira similar) apresentaram grande volatilidade, “assustando” investidores menos experientes. Isso levou esses fundos a criarem perfis “ainda mais conservadores que o conservador”, com carteiras que sejam compostas, majoritaria ou integralmente, de títulos pós-fixados “puros”, como aqueles ligados à Selic ou ao CDI. Abaixo do “superconservador”, ainda é possível encontrar um outro perfil. Um perfil que eu defino como “medroso mórbido”, que é aquele sujeito que tem tanto medo de perder dinheiro que sequer investe – guarda tudo “debaixo do colchão” (ou vai para a Caderneta de Poupança e afins). É aquele investidor que tem medo “até da própria sombra”. E, na outra extremidade, acima do agressivo, temos o “investidor maluco”. Aquele que, ao contrário do agressivo, não tem consciência...

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O investidor e a ansiedade…

Postado por em jul 14, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 14/07/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. Se tem algo de que o investidor brasileiro NÃO pode reclamar, nesses últimos meses, é de tédio… Os mercados vinham bem, com a bolsa subindo de forma mais ou menos consistente, expectativas de cortes no juros… Aí, em maio deste ano, por conta daquele infame episódio da delação de um empresário contra o Presidente da República, um gigantesco cisne negro “fez cocô” na cabeça dos investidores. Bolsa abrindo com queda vertiginosa, acionamento de circuit breaker e pânico geral… Contrariando a crença de que, após movimentos de grande volatilidade, os mercados tendem a “retornar às suas próprias médias”, isso não aconteceu (ao menos nos principais índices e ações) e ficou tudo meio “parado”. Os mercados voltaram a reagir apenas recentemente, com os últimos desdobramentos da reforma trabalhista. Mas tudo indica que teremos ainda muitas “emoções” pela frente, com a perspectiva de eleições no ano que vem, as incertezas sobre os candidatos e mesmo sobre a continuidade do governo atual. E como fica o investidor nessa (em particular, o pequeno investidor)? A ansiedade (que deriva do medo e da incerteza) é um dos grandes inimigos do investidor e responsável por uma série de decisões impulsivas e equivocadas. A área do conhecimento das “finanças comportamentais” já foi mais do que aceita (já rendeu até prêmio Nobel) e, a esta altura, poucos ainda acreditam que os investidores e agentes econômicos são “racionais”. Então, neste artigo, quero explorar alguns pontos aos quais o investidor deve prestar atenção, para reduzir o nível de ansiedade e, consequentemente, reduzir também a quantidade de decisões erradas nos investimentos, que podem levar a perdas financeiras (e outros problemas). Perfil de investidor A definição do perfil pessoal de investimentos é, talvez, a mais importante “lição de casa” de um investidor e, frequentemente, a mais negligenciada. Precisamos “enfiar em nossas cabeças”, de uma vez por todas, que o que define o perfil de investidor (ou de risco) não é “o quanto você quer ganhar”, e sim “o quanto você aguenta perder”. É comum, quando as pessoas começam a se interessar por investimentos, que se “encantem” com as possibilidades e subestimem a própria aversão à perda. Já perdi a conta de quantas vezes vi investidores “batendo no peito”, dizendo que estão tranquilos e conscientes dos riscos que estão correndo, mas que, na hora que dá um stress “de verdade” no mercado, ficam choramingando pelos cantos e reclamando que “o mundo é injusto”. Então, lembre-se de que é preciso, antes de tudo, HONESTIDADE consigo mesmo ao definir o perfil de investidor. Não se force a acreditar que você é um investidor...

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Como “fugir da Poupança”

Postado por em jul 12, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Clube do Pai Rico” em 12/07/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. Naturalmente, estamos falando aqui do produto financeiro “Caderneta de Poupança”, o (inexplicavelmente) mais popular investimento do Brasil, e não da “poupança” que vem do ato de poupar (“guardar dinheiro”, que é um pré-requisito para se investir). Vamos começar falando sobre essa “popularidade” da Caderneta de Poupança. Não há um motivo logicamente aceitável para justificar essa preferência do brasileiro pela Caderneta de Poupança. É um investimento rentável? Definitivamente não… É um investimento líquido? Sim, muito líquido, mas existem outros similares e mais rentáveis. É um investimento seguro? Sim, ela tem o mesmo grau de segurança dos demais depósitos bancários, mas é MENOS segura que, por exemplo, os títulos públicos (negociados no Tesouro Direto). É um investimento “fácil de entender”? Bem… desafio qualquer um a explicar, de forma objetiva, num linguajar acessível para leigos, sem gaguejar e sem “enrolações”, o que é e para que serve a infame “T.R.”… A única explicação plausível para essa preferência é a cultural. Nós fomos “acostumados” com a Caderneta de Poupança e acreditamos que é um “porto seguro” (o que não deixa de ser verdade, mas nem de longe é o “mais seguro dos portos”). E a única forma de fugir de uma arapuca criada por nossos hábitos, condicionamentos e crenças, é trabalhando nesses mesmos hábitos, condicionamentos e crenças para deixarmos de ser escravos deles. Uma forma de (tentar) criar um hábito é ir fazendo aquilo que se está tentando condicionar “aos poucos” e gradativamente. Isso é válido, também, nos investimentos. Do ponto de vista lógico, o “caminho natural” para um investidor que quer fugir da Poupança seria o Tesouro Direto, então vamos usá-lo como exemplo para ilustrar algo: Eu conheço muitas pessoas que têm “medo” do Tesouro Direto, mas a maioria dessas pessoas tem menos medo do investimento “em si” e mais medo do processo de investir. Têm medo de se “enrolarem” com corretoras, escolhas de títulos e outras coisas do gênero. Dentro da linha de estabelecer um novo hábito “aos poucos”, por que não abrir uma conta em uma corretora (qualquer uma!) e mandar a quantia menor possível (podem ser até mesmo os 30 reais mínimos exigidos para se investir no Tesouro Direto)? Aí, investe-se esse valor irrisório apenas para “descobrir o processo” e adquirir segurança nele. A mesma coisa vale para os tão festejados títulos de bancos menores (mais rentáveis e tão seguros quanto os dos grandes bancos). Porém, esses títulos bancários costumam ter um “ticket de entrada” um pouco maior (seriam mais indicados para um “segundo passo”). De qualquer forma, a melhor maneira de fugir (de vez) da Caderneta de Poupança é...

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A (verdadeira) importância dos objetivos nos investimentos

Postado por em jul 5, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 05/07/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. Você já deve ter ouvido, de muitos experts em finanças, que é importante ter um “objetivo” ao investir. Para entender a importância dessa recomendação, precisamos voltar alguns anos no tempo. Bem, na verdade, precisamos voltar bem mais que isso… Talvez um ou dois milhões de anos, ao Paleolítico, que é aquele período em que o “Homem virou Homem”. Não se sabe, exatamente, quanto tempo vivia um típico homem paleolítico. Alguns restos mortais já encontrados mostram que algumas pessoas chegavam a viver mais de 50 anos, mas a expectativa de vida média não devia passar dos 20 anos, principalmente por conta da alta mortalidade infantil. Bem, hoje, em grande parte das economias desenvolvidas, as pessoas já vivem, em média, mais de 80 anos… sendo que fomos “projetados” para viver 20! “Investir”, num contexto de finanças pessoais, significa sacrificar o uso do dinheiro no momento presente (seria o ato de poupar seguido do ato de investir) para assegurar a disponibilidade de reservas financeiras no futuro. Ou, então, para podermos fazer, no futuro, algo que exija uma certa quantia de dinheiro acumulada. Ou seja, “investir” é algo que está, intrinsecamente, ligado ao conceito de “futuro”. E “futuro” é um conceito estranho à natureza humana, pois fomos “projetados de fábrica” para não termos um futuro (bem… não se pode dizer que uma criatura com expectativa de vida de 20 anos tenha um “futuro brilhante” pela frente…). Nossos antepassados não pensavam no futuro – eles viviam “um dia de cada vez”. O foco era no curto prazo, na sobrevivência, em “viver o dia de hoje”. Pensar no longo prazo, quando se vivia tão pouco, era um exercício de futilidade. E essa ênfase no curto prazo acabou virando uma estratégia evolutiva vencedora, tanto que nós, como espécie, sobrevivemos e prosperamos. O Ser Humano não foi extinto, a sociedade evoluiu e a expectativa de vida aumentou. E aqui estamos nós, vivendo quase cem anos, mas tendo, essencialmente, a mesma mente dos nossos antepassados paleolíticos, com foco no curto prazo e na gratificação imediata. Para as nossas “mentes primitivas”, não existe o conceito de “longo prazo”. Os nossos impulsos são imediatistas, Carpe Diem (“agarre o momento”)! Deixar de usar os nossos recursos no momento presente, para ter mais conforto “amanhã”, não é algo natural para nós, pois, ao longo de milhares de gerações, vivemos com foco em sobreviver ao “hoje” (e o amanhã… bem, amanhã a gente resolve!). Por isso, a única forma de dominar essa tendência de “gastar tudo agora” é tendo um objetivo bem definido, que gere uma motivação suficientemente forte para conseguir...

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Trading em Renda Variável como opção de renda pessoal

Postado por em jun 23, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 22/06/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. Vamos começar com um pouco de história… Em especial, da MINHA história. Minha vida profissional pode ser, grosseiramente falando, dividida em quatro “fases”. A primeira, no início da carreira, foi quando trabalhei diretamente no mercado financeiro, seja em instituições financeiras ou em consultorias especializadas. A segunda fase foi quando eu trabalhei como gestor financeiro de empresas (não-financeiras) e, no final dessa fase, eu enterrei, definitivamente (bem… pelo menos eu acho!) a minha carreira corporativa. A terceira fase foi aquela em que me interessei pelo trading em renda variável (ações e futuros) como meio de vida. A quarta fase é a atual, na qual estou mais focado na educação financeira e no desenvolvimento de conteúdos. Estou numa “área cinza” entre as finanças e a comunicação. Hoje quero falar um pouco sobre essa “terceira fase”. Acho importante tratar deste assunto, pois estamos numa situação econômica um tanto complicada (sem sinais inequívocos de que vá “descomplicar”) e o desemprego voltou a ser, talvez, a principal preocupação do brasileiro. Não apenas o desemprego está muito alto (o número de desempregados já rompeu, há um bom tempo, a barreira dos dez milhões), como está afetando aquele pessoal que, de forma geral, mais “demite” do que “é demitido”: Os gerentes, líderes e profissionais de nível executivo. Esses profissionais, quando saem dos empregos, em geral, saem com uma “boa grana”, por conta das indenizações trabalhistas. Mas também são esses os profissionais com mais dificuldade em se recolocar, por serem caros e, aos olhos de muitas organizações, “velhos” (o preconceito existe, não adianta negar). É natural que, em situações assim, muitas dessas pessoas comecem a olhar o trading (as operações especulativas, usualmente de curto prazo, com instrumentos de renda variável) como uma opção de vida. Afinal, o que pode ser melhor do que “fazer dinheiro com o próprio dinheiro”? Por conta disso, o mercado de recursos e de informações para esses investidores mais “ativos” está fervilhando. Eles estão comprando cursos, livros, relatórios… As redes sociais e comunidades na internet estão movimentadíssimas e eu consigo observar um pouco dessa movimentação, de forma bastante clara, na própria bolsa (onde sou professor – B3 Educação) – os cursos de ações andavam um tanto “caídos” e, de algum tempo para cá, estão “bombando”. O próprio desempenho da bolsa (pelo menos até aquele infame incidente da “delação”, ocorrido em maio) estava encorajando muita gente a entrar. E percebo, claramente, que boa parte desses “novos entrantes” não são simples investidores buscando aumentar seus patrimônios, mas sim pessoas que estão olhando para aquilo tudo como um “negócio”, como uma atividade para gerar...

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Renegociação de dívidas – comece “do jeito certo”

Postado por em jun 15, 2017 em Artigos |

Artigo publicado no blog “Você e o Dinheiro” do Portal EXAME em 15/06/2017 Por: André Massaro Link para o artigo original aqui. O arsenal de ferramentas financeiras para quem quer renegociar e recompor dívidas vem aumentando. Até pouco tempo, o “caminho de menor resistência” para quem quisesse colocar a casa em ordem era o crédito consignado (ainda presente, mas que começa a ficar um pouco menos acessível à medida que mais pessoas perdem seus empregos). Recentemente, a liberação de saldos inativos do FGTS abriu mais uma possibilidade e tem, também, o crédito com garantia em imóvel (home equity), que começou a ganhar relevância há poucos anos, ainda de forma tímida, mas que vem se tornando mais popular. O fato de termos mais opções de crédito não significa que elas estejam mais acessíveis. Pelo contrário, é notório que as instituições financeiras estão restringindo o acesso ao crédito, mas as ferramentas vão surgindo, e aumenta o número de pessoas que se conscientiza da necessidade de colocar a vida financeira novamente nos eixos. Porém, renegociar uma dívida é algo que exige uma preparação que, frequentemente, é negligenciada. As pessoas se “apressam” em renegociar as dívidas (e isso é compreensível, dado o grau de angústia e stress que elas causam) e acabam não dando a devida atenção para duas coisas de suma importância: Dívida não é um problema A primeira delas é que o endividamento não é um problema. Ele é uma “consequência” – algo que resulta de um outro problema, que pode ser a perda do emprego (ou outra fonte de renda), decisões de consumo inconsequentes entre outras coisas. Antes de renegociar uma dívida, é importante que se descubra qual é o “verdadeiro problema” – qual é a causa daquele endividamento. Tratar uma dívida como mero “problema financeiro” faz com que, na maioria das vezes, as pessoas resolvam “o problema errado”. Elas pegam uma linha de crédito, equacionam as dívidas e a vida segue “do mesmo jeito”. O resultado disso é que apenas se “empurra com a barriga” aquilo que iria acontecer, inevitavelmente. A pessoa está à beira da falência, porém, faz uma nova dívida, ganha um fôlego financeiro adicional e, assumindo que as verdadeiras causas não sejam resolvidas, ela vai falir do mesmo jeito, só que “um pouco mais tarde”. Atenção à capacidade de pagamento A outra coisa que costuma ser negligenciada é a real capacidade de pagamento da pessoa. Na pressa em “resolver” a situação (e também por conta da pressão dos credores), algumas pessoas se comprometem em renegociar uma dívida em condições pouco realistas, que elas não vão conseguir cumprir. Isso acaba levando a um “novo calote”, que frustra tanto o devedor como o credor, e pode acabar erodindo...

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