09/03/2019 •

Aluguel de ações – Como funciona


O que você acha da ideia de “emprestar” suas ações para alguém (e ser remunerado por isso)?

Existem muitas formas de se ganhar dinheiro no mercado de ações, e algumas delas são bastante contraintuitivas. Investidores iniciantes muitas vezes não têm noção da enorme versatilidade das ações. São inúmeras as formas que existem de se ganhar dinheiro com elas.

E uma dessas formas é o “aluguel de ações”. Se chama “aluguel” quando o investidor que possui ações as oferece a outros agentes do mercado financeiro. Agentes esses que, por algum motivo, precisam daquelas ações temporariamente (e não têm a intenção de comprá-las).

No jargão do mercado financeiro, o investidor que disponibiliza as ações é chamado de “doador”. Quem toma as ações é, previsivelmente, chamado de “tomador”.
Vamos, então, dar uma olhada em como funciona o aluguel.

Qual é a remuneração?

O investidor (doador) que tem suas ações alugadas recebe “juros”. Esses juros são uma taxa definida pelo próprio doador. Quando o investidor toma a decisão de oferecer as ações, ele define a taxa de juros que quer receber. Aquele que vai tomar as ações alugadas (o tomador) vai, naturalmente, ver as ofertas do mercado e vai optar pela menor taxa. Isso leva a uma competição entre os donos de ações que oferecem para aluguel.

Afinal, é “aluguel” ou “empréstimo”?

Tecnicamente é um “empréstimo”. Na literatura em Inglês, se refere a essa transação como “loan” (empréstimo). Outra pista de que se trata de um empréstimo (e não de aluguel) é o fato da remuneração ser expressa em taxa de juros. “Juros” é, tipicamente, a remuneração de empréstimos e financiamentos.

Aqui no Brasil, se convencionou chamar essa operação de “aluguel”, mas, na verdade, trata-se de um empréstimo.

As condições impostas pelo doador

O doador define, então, a taxa de juros e o prazo máximo do aluguel. Não há nenhuma regra para essas duas condições. Basicamente, o doador estabelece “aquilo que quiser”.
Quanto ao prazo, o mais comum é as ações serem oferecidas por um período de alguns meses. Mas, novamente, não há uma regra e prevalece a discricionariedade do doador.

Qual o perfil típico do doador?

O doador “padrão” é alguém que tem ações. Porém, por qualquer motivo, não quer (ou não pode) vender as ações e busca um rendimento adicional (os juros).

Um típico doador “pessoa física” é aquela pessoa que está acumulando uma carteira de longo prazo (ou criou uma carteira para receber dividendos). Essa pessoa não tem a intenção de vender as ações (nem que o mercado entre num ciclo de baixa acentuada). Então, oferecem as ações para ganhar uma “renda extra”.

O aluguel de ações é, também , bastante utilizado por investidores institucionais (como fundos de investimento e de pensão) que, por qualquer razão, não podem vender ações em suas carteiras. Nesses casos, o aluguel virá uma forma de tentar rentabilizar ou amortecer perdas (no caso de um mercado em baixa)

Quem são os tomadores?

Agentes do mercado “tomam” ações com várias finalidades. A mais comum é para fazer a famosa “venda a descoberto”, que é um tipo de operação altamente especulativa para tentar obter ganhos com o mercado em baixa (clique aqui para saber mais sobre a “venda a descoberto”). Outra s finalidades comuns são a constituição de garantias e a montagem de operações estruturadas (como as operações “long-short”).

Como ficam as rendas da ação alugada?

Durante o período em que as ações ficam alugadas, elas saem da conta de custódia do doador. Porém, essa operação fica devidamente registrada na bolsa (através do Banco de Títulos – BTC).

Eventuais rendas e proventos serão recebidos por quem for o atual detentor da ação (o tomador ou alguém que comprou a ação dele). Porém, os valores dessas rendas e proventos serão descontadas do tomador (pelo próprio BTC) e pagas ao doador.
Isso significa que o doador não tem NENHUMA perda financeira no período em que as ações estiverem alugadas. A única perda do doador é a perda dos direitos de votar e participar das assembleias (no caso de ações ordinárias).

Quais são os riscos?

Para o doador, basicamente não há risco. O retorno das ações (bem como o pagamento das rendas e proventos) é garantido pela bolsa. Então, basicamente, não há com o que se preocupar.

O tomador pode se expor a riscos maiores (até mesmo riscos ilimitados). Porém, esses riscos não são intrinsecamente ligados ao aluguel de ações, e sim àquilo que vai ser feito com as ações (venda a descoberto, por exemplo, é um tipo de operação notoriamente arriscado).

Quero ser um tomador. O que fazer?

Vamos imaginar, então, que você resolveu experimentar as “emoções” de operar em mercados em baixa fazendo venda a descoberto de ações. Você precisará tomar essas ações antes de iniciar suas operações.

O primeiro passo é definir qual ação quer tomar. O segundo é ver as ofertas (para ver taxas de juros e prazos). Algumas corretoras permitem que se veja as ofertas diretamente na plataforma de negociação. Outras exigem que o investidor entre em contato diretamente.

A tomada de ações é feita através de um depósito de garantias (que pode ser dinheiro ou alguns títulos financeiros). Essa margem costuma ser de 120% do valor das ações que estão sendo tomadas e, sob certas circunstâncias, a corretora pode exigir margem adicional.

Devo oferecer minhas ações para aluguel?

Tem um velho ditado que diz que “dinheiro a mais nunca é demais”. Se você tem ações, e não tem a intenção de vendê-las (nem que o mercado entre num ciclo de baixa forte), não há porque NÃO oferecê-las para aluguel.

Para o investidor, o risco é virtualmente inexistente e vira uma oportunidade de ganhar uma “graninha a mais”.

Então, se você estiver nessa situação, entre em contato com sua corretora e informe-se. Veja qual é a taxa de juros que está sendo praticada na ação que você quer disponibilizar (para saber quanto o mercado está pagando – e aumentar suas chances de alugar), defina um prazo máximo e faça a sua oferta!

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