19/12/2019 • • por Andre Massaro

Uma breve história das bolsas de valores


Falar sobre a história das bolsas de valores não é uma tarefa muito fácil por vários motivos. O primeiro é porque os registros históricos são esparsos, incompletos e conflitantes. O segundo é porque o entendimento do que é uma “bolsa de valores” pode variar conforme quem estiver contando a história. E aí vai do narrador dar aquela “forçadinha de barra” (ou não) para argumentar que os sumérios já tinham mercados que pareciam bolsas primitivas, que os romanos já tinham algo similar às empresas de capital aberto e por aí vai…

De qualquer forma, mercados organizados existem, basicamente, desde que existe comércio. Mesmo na época do escambo, nos primórdios da Civilização, as pessoas precisavam se encontrar em algum lugar onde pudessem levar seus bens (ou, pelo menos, a promessa de levá-los) para negociar com outras pessoas e avaliar se havia possibilidade de trocas.

“Relembrando” o que é uma bolsa

Uma bolsa de valores é um tipo de mercado organizado que tem algumas características peculiares. Nelas, se transacionam ativos (geralmente financeiros) padronizados, seguindo determinadas regras de negociação e de formação de preços. As bolsas modernas também fazem a compensação e liquidação das operações (o chamado “clearing”) e funcionam como contraparte das negociações (ou seja, os negócios na bolsa são feitos “com a bolsa”, e não com os participantes individualmente).

Antigamente, outra característica que definia uma bolsa era ser um local físico, onde compradores e vendedores se encontravam para fazer suas transações. Porém, hoje, a maioria das bolsas são ambientes puramente eletrônicos e essa característica deixou de ser relevante.

Mas durante muito tempo a bolsa foi um “local” – e a origem dela está, justamente, nessa questão de ser um local físico, claramente delimitado, onde as pessoas se encontravam para negociar.

Por isso, qualquer local (físico) onde exista um mercado minimamente organizado, no qual se negociam coisas que já são combinadas (do contrário, vira “feira livre”) pode ser considerado uma “proto-bolsa”.

Até mesmo uma típica rua comercial especializada (como as que existem em diversos lugares do mundo) pode ser considerada uma bolsa de valores primitiva. Por exemplo, em São Paulo temos a Rua Santa Efigênia, famosa por ser especializada em produtos e componentes eletrônicos. O mercado ali se tornou tão “eficiente” que é difícil encontrar variações de preço de um mesmo produto nas diferentes lojas. É quase possível fazer uma “cotação oficial” de certos itens pelo preço que são negociados na Santa Efigênia.

Por isso mesmo que a história das bolsas de valores pode ser contada de várias formas, pois há grande margem para interpretar o que é uma “bolsa” e o que são “valores” ao longo da História.

Mas… Vamos tentar!

Uma versão sobre “como tudo começou”

Os primeiros registros históricos de algo que se assemelha à moderna atividade “bursátil” são do Século XII, na França. Naquela época, surgiu aquilo que, talvez, eram os primeiros “corretores de valores” (que, inclusive, se chamavam courratiers de change), que negociavam títulos de crédito das comunidades camponesas que então existiam.

Imagine uma bolsa com títulos emitidos por prefeituras… Seria mais ou menos isso (observando que no Brasil prefeituras não emitem títulos, mas, nos EUA, o mercado de títulos municipais, chamados de munis, é muito ativo).

Baseada nos registros conhecidos, a história das bolsas de valores começa aqui.

Como a “bolsa” virou “bolsa”

Avançando um pouco no tempo (e indo mais ao norte), chegamos na Holanda no Século XIII. E lá vamos encontrar a resposta para um dos “grandes mistérios” da Humanidade: Por que a bolsa tem esse nome?

Em Antuérpia (cidade historicamente famosa pelo comercio), negociantes de produtos agrícolas acabaram formando um protótipo daquilo que seria o moderno mercado de commodities.

Como já foi dito anteriormente, antes do surgimento da computação e das telecomunicações, um dos requisitos para se ter um mercado organizado era a existência de um local físico para as negociações.

A “galera” ali de Antuérpia precisava de algum local para transacionar os produtos agrícolas e, diz a lenda, o local escolhido era na frente da casa de um certo senhor Van der Beurze. O local ficou conhecido como Beurze (em referência à casa do sujeito) e, com o tempo, outros “Beurzen” começaram a surgir, inclusive em outros países da Europa.

O termo acabou sendo latinizado para “bursa” (a mesma palavra que se usava para “bolsa”… o recipiente, e não o mercado).

Bem, o nome vem daí… E, como grande parte das coisas “exóticas” que existem no mercado financeiro, a culpa é dos holandeses!

Depois da bolsa, vem os “valores”

A origem das sociedades anônimas também é uma coisa meio incerta pois, ao longo da História, surgiram vários modelos de empresas que, conforme a “boa vontade” de quem estiver narrando, podem ser interpretadas como corporações primitivas.

Mas podemos dizer que as modernas empresas abertas surgiram e floresceram no Século XVII, com as grandes navegações.

Naquela época, os estados europeus eram extremamente fragmentados, com pouca acumulação de capital, e eram necessários recursos vultosos para financiar as navegações.

Surgiram, então, as duas primeiras grandes (e põe “grandes” nisso) corporações modernas. A Companhia das Índias Orientais Inglesa e, logo na sequência, a versão holandesa.

Aí, os holandeses (eles de novo…) vieram com uma solução engenhosa: A Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC – Verenigde Oostindische Compagnie) criou a bolsa de Amsterdã, para negociar suas próprias ações e títulos.

Pronto! Aqui podemos dizer que a bolsa de valores nasceu “oficialmente”.

Aliás, aqui cabe uma nota sobre a Holanda e os holandeses: Boa parte do que existe no mercado financeiro foi inventado na Holanda. A Holanda é um país que, tecnicamente, não deveria existir. Se não fosse pela engenhosidade humana a Holanda estaria debaixo d’água.

Inclusive, tem uma frase popular entre os holandeses que diz que “Deus criou o mundo, e os holandeses criaram a Holanda”… É um ditado meio pretensioso, mas é a pura verdade…

O cenário atual

A partir da criação da bolsa de Amsterdã, as coisas seguram seu curso normal… O que significa que outros países viram aquilo (que foi um sucesso, indiscutivelmente) e replicaram.

Muitas “idas e vindas” aconteceram desde então, que moldaram o que são as modernas bolsas de valores e as modernas empresas de capital aberto. Mas, o que vemos no mercado de capitais atual é, essencialmente, uma evolução (e não “revolução”) daquilo que foi criado em Amsterdã no Século XVII.

O mercado de capitais segue evoluindo, mas a sua estrutura e função básicas (de servir como uma “interface” entre investidores e tomadores de recursos) não mudaram. O que significa que a história das bolsas de valores ainda está sendo escrita… E longe de uma conclusão!

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