20/12/2019 • • por Andre Massaro

O investidor, o especulador e o trader


Na linguagem corrente do mundo dos investimentos, é comum falar em “investidor” e “especulador” como se fossem duas espécies diferentes e antagônicas.

Na visão das pessoas que falam isso, o investidor seria aquele sujeito “calminho”, com visão de longo prazo, que pensa em acumular um patrimônio de forma mais gradual, consistente e sem “macaquices”.

Já o especulador é aquela imagem estereotipada do cara com gel no cabelo e telefone na mão, disparando ordens de compra e venda de ações, tentando tirar proveito de oportunidades momentâneas do mercado financeiro. Seria a pessoa com visão mais voltada para o curto prazo e que quer “ficar rico rápido”.

A origem dessa visão

A “origem”, propriamente, é difícil de determinar. Mas certamente essa ideia de “investidor” e “especulador” como polos opostos foi popularizada por Benjamin Graham, no clássico livro “O Investidor Inteligente”.

O livro (que é considerado parte do “Velho Testamento do Value Investing”) tem um caráter fortemente opinativo do autor e, previsivelmente, coloca o investidor na posição de “superior” e o especulador na posição de “inferior”. Aliás, o próprio título do livro (“O Investidor Inteligente”) já dá pistas de que o caminho é por aí…

Porém, eu sou um cara meio “chato” no uso das terminologias, tenho um problema com comunicação ambígua e quero (e vou) dar meu “pitaco” nessa questão. Vamos lá…

O que é “especular” e “investir”

A origem etimológica da palavra “especular” é associada com “contemplar algo á distância” ou, no mundo das ciências, “formular hipóteses em situações de grande incerteza”.

Considerando o caráter altamente aleatório dos mercados financeiros (apesar da crença de alguns de que existe algum tipo de “ordem” ali…), a verdade é que a denominação “especulador” deveria ser dada àquele que investe no LONGO PRAZO, e não no curto. Afinal, o grau de incerteza é infinitamente maior no longo prazo.

Já investir é, na definição “de dicionário”, empregar capitais com o objetivo de auferir lucro. Se você coloca um real em alguma coisa e espera obter dois reais, você é um investidor. Simples assim.

Por essa visão “formal”, podemos dizer que o Warren Buffett, o doidão que faz day trading com opções “a seco” e o pipoqueiro da esquina são, todos eles, “investidores”. Afinal, estão empregando capitais para obter lucro.

E onde entra o trader?

Como havia dito antes, eu sou um cara chato com palavras. Eu “pego no pé” de gente que usa certos termos de forma indevida (meus alunos sabem bem disso…) e não faço isso por mera implicância, e sim por que, ao longo da minha vida, já vi GRANDES CAGADAS acontecendo por causa de comunicação ambígua e pouco clara.

Enfim, se quiserem chamar o “investidor” de investidor (eu preferiria chamar de especulador…), tudo bem… mas proponho que se aposente, em definitivo, o uso da palavra “especulador” para designar aquele que opera nos mercados financeiros em prazos mais curtos e se adote, de forma definitiva, o termo em Inglês TRADER.

Trader é MUITO usado no mercado financeiro brasileiro, mas ele tinha que ser a denominação única de quem opera em prazos curtos (substituindo, em definitivo, o uso de “especulador” para esse fim).

Trader vem de trade que, em Inglês, significa “comércio”. “Comércio” define bem esse tipo de operação financeira, onde se compra e vende ações, títulos e derivativos não com o objetivo de manter, mas sim com o objetivo ganhar com a diferença de preços. A atividade de trader é aquilo que se chama de trading. Trading é, então, a atividade de comprar e vender ativos financeiros com o objetivo de lucrar com as variações de preço.

O “investidor” compra ativos para mantê-los, sem a intenção de vender depois. Ele pode até fazer isso, mas não faz parte do plano original. Já o trader compra com o objetivo claríssimo e explícito de vender depois (com lucro, espera-se).

É como comprar uma casa. Alguém pode comprar uma casa para morar nela ou alugar para alguém (esse seria o “investidor”). Ou pode comprar para vender depois com lucro (esse cara seria um comerciante… ou trader).

E o trading não precisa ser, necessariamente, de curtíssimo prazo. Existem os chamados “prazos operacionais”, que podem ser de segundos a anos. Basta que exista e intenção de “não manter” aquele ativo em carteira para que aquela operação seja considerada um trading.

Saiba mais sobre os prazos operacionais no trading lendo este artigo aqui: “Position, Swing, Day Trading… O que é isso?

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