02/06/2019 •

O que é o mercado fracionário de ações


O mercado fracionário de ações é bastante associado à ideia de se investir com pouco dinheiro. Mas mesmo investidores mais experientes e abastados acabam tendo, em algum momento, contato com o mercado fracionário.

Entendendo os lotes padrão da bolsa

Para entender o mercado fracionário, a primeira coisa é entender a “lógica” dos lotes padrão da bolsa. Quem já investiu na bolsa (ou, pelo menos, deu uma “navegada” no homebroker) já deve ter notado que as ações são, por padrão, negociadas em lotes de 100.

Assim sendo, quando determinada ação está a 20 reais, o lote “redondo” custa 2.000 reais.

Essa prática de negociar as ações em lotes “redondos” existe na maioria das bolsas do mundo. Nas bolsas americanas, por exemplo, também se usa a quantidade de 100 como padrão. O número “100” não é uma regra e, aqui mesmo no Brasil, já tivemos outros tipos de lotes, como mil ou dez mil. Em outras bolsas do mundo os lotes também podem ser diferentes, mas, usualmente, são múltiplos de dez.

Isso é um resquício de uma época em que os recursos computacionais eram limitados ou inexistentes. Há muitas décadas, o trabalho de liquidação e registro das transações em bolsa era feito manualmente, e agrupar as ações em lotes maiores facilitava (e muito) os cálculos.

Porém, a despeito de hoje termos enorme poder computacional à disposição, a maioria dos sistemas de bolsa ainda trabalha com a “base” de 100 ações. Ações individuais são (ou eram, conforme a bolsa) negociadas em sistemas paralelos, geralmente mais lentos que o sistema “principal”.

O mercado fracionário entra em cena

O mercado fracionário é, então, o mercado “paralelo” onde se negociam ações individuais. Ao contrário do que algumas pessoas gostam de dizer por aí, o mercado fracionário não é (ou pelo menos não é APENAS) um mercado para “investidores pobres e com pouco dinheiro”.

O mercado fracionário existe porque, entre outras coisas, as empresas podem pagar proventos em ações (como as bonificações) e essas ações são distribuídas de forma proporcional àquilo que os atuais acionistas possuem. Se a empresa distribuísse as bonificações apenas em lotes “redondos”, muitos investidores seriam prejudicados ou teriam ganhos indevidos.

Por isso, mesmo que você seja um grande investidor (com muitas ações e uma carteira diversificada), em algum momento vai acabar “trombando” com o mercado fracionário pois, inevitavelmente, alguma empresa da sua carteira vai acabar distribuindo ações através de bonificação.

Outra possibilidade em que um investidor “grande” pode acabar se deparando com o mercado fracionário é quando participa de uma oferta pública de ações (um “IPO”, no jargão). Após o processo de formação de preços (bookbuilding), o investidor pode acabar recebendo ações individuais para aquele valor que se dispôs a investir.

As diferenças entre o mercado principal e o mercado fracionário

Além da diferença mais obvia (que é a quantidade) temos o fato de que, ao menos no Brasil, as negociações acontecem em “plataformas” diferentes, como se fossem ativos distintos.

Inclusive, as ações individuais recebem a letra “F” no final de seu ticker (o código usado pela bolsa para identificar uma ação).

Assim sendo, uma ação como a da Vale, cujo ticker é VALE3, é negociada como VALE3F no mercado fracionário.

O que muda na prática?

As negociações, sejam em lote padrão ou no mercado fracionário, são feitas do mesmo jeito. A única diferença é que se deve adicionar a letra “F” no final do ticker e, aí, se terá acesso ao livro de ofertas das ações individuais.

Os custos transacionais são os mesmos. Porém, algumas corretoras podem, por liberalidade delas, praticar condições diferenciadas para os dois mercados.

Outra diferença importante é a liquidez, que é grandemente reduzida no mercado fracionário. Isso pode levar a distorções de preços nos dois mercados onde, usualmente, a ação individual é ligeiramente mais cara que aquela que está no lote-padrão (forma-se um spread).

Essa diferença de preço, aliada ao custo e à baixa liquidez, faz com que as negociações no mercado fracionário acabem não sendo tão interessantes.

Mesmo que uma corretora ofereça “corretagem zero” para o mercado fracionário, a diferença de preço entre as ações pode ser significativa.

Quando fazer transações no mercado fracionário

Como via de regra, a maioria dos especialistas e educadores costuma orientar os investidores a evitar o mercado fracionário (pelos motivos expostos anteriormente).

Porém, tem algumas situações em que valerá a pena o investidor recorrer ao mercado fracionário.

A primeira situação é quando o investidor quer investir e, simplesmente, não há dinheiro para um lote “redondo”. Neste caso, compra-se as ações no fracionário e, quando houver a oportunidade, se compra mais ações na expectativa de, quem sabe, “fechar o lote”.

A outra situação é quando o investir recebe bonificação ou participa de um IPO, e acaba recebendo ações individuais. Uma possibilidade é, simplesmente, mantê-las. Mas muitos preferem comprar as ações faltantes no mercado fracionário para “inteirar o lote”.

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