14/03/2019 •

Como ganhar com a bolsa em queda


Sabe o que mais me encanta no mundo da bolsa de valores e da renda variável em geral? É a grande flexibilidade, versatilidade e diversidade de operações.

A maioria dos investidores e traders (especialmente os iniciantes) imagina que só é possível ganhar quando a bolsa sobe. Mas, na verdade, dá para ganhar de todos os jeitos! Existem técnicas e metodologias para ganhar com a bolsa subindo, caindo ou “de lado”.

As pessoas não “perdem” na bolsa porque ela está caindo. As pessoas perdem por usar a técnica errada no cenário errado. Usar uma metodologia “de alta” num mercado em baixa é perda certa. Da mesma forma, usar uma técnica específica para mercados em queda num momento em que a bolsa está “bombando” para cima é pedir para levar chumbo grosso…

Neste artigo, quero dar uma passada pelas principais técnicas e metodologias para investir (ou “operar”, no jargão dos traders) quando a bolsa está em queda.

E é importante salientar que “queda” pode ter vários significados. Tem aquela queda temporária, quando o mercado resolve dar um “respiro” depois de uma alta forte. Mas também tem aquela queda “pra valer”, quando a bolsa entra em tendência descendente de longo prazo. É aquilo que, em Inglês, o pessoal chama de “bear market” (em referência aos ursos…). Em situações assim, a bolsa pode passar até mesmo alguns anos em tendência de baixa contínua.

Mas vamos, então, ver as técnicas mais populares para ganhar na queda.

Infográfico demonstrando as quatro formas básicas para se ganhar com a bolsa em queda

1- Vender, esperar e recomprar…

O investidor tem ações e, ao perceber que o mercado está “azedando”, vende as ações e deixa para recomprar no futuro. A expectativa é que o mercado caia e o investidor possa recomprar as ações mais barato. E, durante o período de queda, deixa o dinheiro parado ou coloca em algo mais seguro.

Isso é o que a maioria dos investidores iniciantes pensa quando se fala em “ganhar na queda”. E, de fato, existe alguma coisa mais obvia do que vender na alta para recomprar na baixa?

Pois é, é obvio. Só tem um “probleminha”… A gente nunca sabe ao certo quando o mercado começa a cair “pra valer” e nem quando ele se recupera. Se fosse tão fácil assim, estaríamos todos milionários.

Na prática, os mercados não fazem seus movimentos de forma tão clara. E nunca sabemos, de fato, quando é a “alta” e a “baixa”. Sabemos que o mercado pode ter subido muito, mas nada impede que ele suba mais ainda. De forma análoga, para baixo, o limite é o zero. Enquanto os preços não chegam a zero, sempre tem para onde cair mais…
Enfim, é uma técnica linda “no papel”, mas na prática não funciona muito bem…

2- Buscar ações e ativos contracíclicos

Tem um velho ditado que diz que “enquanto uns choram, outros vendem lenços”.
Quando a bolsa está em queda (especialmente se for uma queda prolongada), isso geralmente está ligado a alguma crise na economia. Só que as crises não afetam todas as empresas e segmentos por igual. Alguns segmentos perdem e outros ganham com a crise.

O que muitos investidores procuram fazer, portanto, é descobrir quem são esses “vendedores de lenços” e investir neles.

Guardadas as devidas proporções, o investimento em ativos contracíclicos sofre das mesmas limitações da técnica de “vender, esperar e recomprar”. Não sabemos, de forma precisa, quando uma crise está começando ou acabando. Frequentemente, quando os mercados caem, ouvimos os “profetas do apocalipse” pregando o colapso econômico mundial e aquela queda acaba se revelando apenas uma “quedinha passageira”. Quem se posiciona defensivamente, nessas situações, acaba perdendo oportunidades e perdendo dinheiro…

Ações e ativos contracíclicos são muito interessantes. Porém, a maior utilidade deles está em equilibrar e reduzir a volatilidade de uma carteira de investimentos. Investir “só neles” contando com a queda pode ser uma estratégia arriscada.

3- Venda de ações a descoberto

Esta é uma das estratégias mais interessantes para ganhar na queda. É uma estratégia que tem certa complexidade e costuma ser usada apenas por investidores e traders mais experientes.

Consiste em identificar uma ou mais ações em queda (ou com perspectivas de queda), vender essas ações e recomprar no futuro por um preço mais barato.

E aí você pode estar pensando: “Opa, mas isso não é a mesma coisa que a estratégia do ‘vender, esperar e recomprar’ que está no começo da lista?”. Bem… Mais ou menos…

A diferença, aqui, é que quem faz a venda a descoberto não tem as ações para vender… Sei que pode parecer estranho (para os investidores iniciantes isso é muito contraintuitivo) mas os adeptos desse tipo de operação “vendem aquilo que não têm”.

Eles alugam ações (isso mesmo…). Se você nunca ouviu falar em aluguel de ações, confira meu artigo “Aluguel de ações – Como funciona”. Enfim, a pessoa aluga ações de algum outro investidor que as disponibilizou, vende e “torce para cair”. Se cair, ele terá a oportunidade de recomprar mais barato e devolver para o dono original (aquele que forneceu as ações).

Riscos ilimitados

Como já havia mencionado, é uma operação um pouco complexa. E o risco também é alto, pois esse tipo de operação tem ganho limitado e perdas potencialmente ilimitadas. Afinal, para baixo, “do zero não passa”. Para cima, o céu é o limite…

Se o sujeito vender a ação a 20 reais, seu ganho máximo possível é 20 reais (caso a empresa “quebre” e o preço da ação vá a zero). Mas e se ela for a 100 reais? Ou mil reais?
Se diz que a pessoa que faz venda a descoberto está “vendida” em determinada ação. Bem, talvez você já tenha ouvido pessoas usarem a expressão “vendido” no lugar de outra palavra que rima com vendido (mas que começa com fod…).

Por exemplo, quando a pessoa diz “Eu não sabia o que falar e fiquei ‘vendido’ na reunião com o cliente”… Pois é, o espírito é esse mesmo.

Quem está “vendido” tem um potencial de perda infinitamente maior que o potencial de ganho. Por isso, quem opta por esse tipo de operação precisa saber o que está fazendo (e ter consciência dos riscos).

4- Operações com derivativos

Outra possibilidade (que também entra numa área de maior complexidade) é fazer operações com derivativos, como contratos futuros e opções.

Contratos futuros são muito versáteis e permitem ficar “comprado” ou “vendido” do mesmo jeito. Ficar vendido em contratos futuros de índice é uma forma “clássica” de se tentar ganhar dinheiro nas quedas.

No caso das opções, também é possível operar “vendido”. O jeito mais simples é vendendo opções de compra (as “calls”, no jargão). Porém, ser “simples” não é sinônimo de ser “seguro”. Ficar vendido em opções de compra é uma das operações mais perigosas que existem (por conta do potencial de perdas ilimitado) e muitas corretoras sequer deixam fazer esse tipo de operação.

Uma alternativa é fazer operações estruturadas com viés direcional (como as “travas de baixa”), que combinam opções de preços diferentes de forma a limitar as possíveis perdas.

Bem, acho que não preciso dizer, mas operar com derivativos é uma coisa complexa e, se você nunca estudou sobre o assunto, estude MUITO antes de se aventurar nessa seara…

Essas são, enfim, as formas mais populares de se ganhar com a bolsa em queda. Como vimos, ganhar com a queda não é algo exatamente “fácil”, mas é possível e pode ser bastante lucrativo (se você dominar as técnicas e conseguir fazer uma boa “leitura” do mercado).

E se você quiser saber mais sobre como investir na bolsa (não necessariamente com ela em queda!) com um método consistente e seguro, conheça o meu curso “ValueMaster – Formação de Investidores em Ações” clicando abaixo.

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