04/09/2020 • , • por Andre Massaro

Indicadores técnicos – como são classificados


Meu último artigo, aqui no site, foi sobre classificação de indicadores fundamentalistas para análise de ações. Não era meu plano original fazer um outro artigo sobre classificação de indicadores técnicos (utilizados na análise técnica e de gráficos), mas foi uma evolução quase “inevitável”.

Os indicadores fundamentalistas são construídos, majoritariamente, com base em informações das demonstrações financeiras e, em alguns casos, dos preços de mercado. Já os indicadores técnicos são construídos com base nas duas únicas informações que “existem” para a análise técnica, que são preços e volumes. E, ainda assim, a maioria dos indicadores utiliza apenas os preços.

E, assim como no caso dos indicadores fundamentalistas, os indicadores técnicos podem ser agrupados em “famílias” conforme sua função.

Indicadores técnicos e a interpretação de gráficos

No mundo da análise técnica, existe um conceito chamado de “análise técnica clássica”, que é a pura e simples interpretação visual dos padrões gráficos. São as chamadas “figuras gráficas”, como triângulos, retângulos, “ombro-cabeça-ombro” e coisas do gênero.

A formação dessas figuras gráficas nem sempre é tão clara e perfeita. Aliás, pelo contrário, algumas são bem ambíguas e difíceis de interpretar. Por conta disso, essa interpretação visual dos padrões é altamente sujeita à subjetividade do analista, que pode “enxergar” algo ali no gráfico ou não.
O uso dos indicadores tem, como principal função, diminuir (ou mesmo eliminar) essa subjetividade da interpretação visual do gráfico. Usar indicadores é uma forma de, digamos, “filtrar” as informações que estão no gráfico.

Por isso, a análise técnica clássica é análoga à análise fundamentalista de base qualitativa, enquanto a análise técnica baseada em indicadores é análoga à análise fundamentalista de base quantitativa.

Como os indicadores técnicos são classificados

Os indicadores são classificados, conforme sua função na análise, nas seguintes famílias:

Rastreadores de tendência

São indicadores que têm, como função, ajudar a definir qual é a tendência geral dos preços de um ativo em diversos prazos.

As tendências são de alta, de baixa e “de lado” (que é como se diz, no jargão do mercado, quando os preços se movem sem direção definida). E elas podem, também, ser classificadas quanto aos prazos, podendo ser de curto, médio ou longo prazo, conforme a preferência do analista e seus critérios de definição de tempo.

Em um único ativo financeiro, é possível observar diferentes tendências conforme o prazo. Um ativo pode, por exemplo, estar em tendência de alta no longo prazo (anos) e em tendência de queda no curto prazo (dias). Os rastreadores de tendência facilitam a visualização dessas tendências em tempos diferentes.

A esmagadora maioria dos rastreadores de tendência é baseada em médias móveis, que são médias que “caminham” à medida que o tempo vai avançando.

Para aqueles que não são familiarizados com médias móveis, abaixo há um exemplo de uma média móvel simples (aritmética) de três períodos.

Tabela com preços de uma ação e sua média móvel de três períodos

Observe que, na coluna da esquerda, temos a média dos três preços imediatamente anteriores, que vai “andando” à medida que os preços avançam.

O uso das médias móveis permite ter uma visão “filtrada” da tendência, ainda que com algum atraso (o que é natural e esperado em um mecanismo de filtragem).

Quanto maior a quantidade de períodos em uma média, mais ela refletirá uma visão de longo prazo. E é comum analistas técnicos usarem várias médias simultaneamente.

Na figura abaixo (cortesia do portal TradingView), você pode ver um gráfico do Índice Bovespa com duas médias móveis: Uma de 50 períodos (vermelha) e uma de 9 períodos (azul).

Gráfico do Índice Bovespa com médias móveis inseridas

Observe como a movimentação fica mais clara com o uso das médias móveis.

Como já foi dito, a média móvel é a base dos rastreadores de tendência. A grande maioria dos rastreadores de tendência são variações da média móvel aritmética (como médias móveis ponderadas, suavizadas etc.) ou outros indicadores que levam médias móveis (de diversos tipos) em suas fórmulas matemáticas.

Osciladores

Os osciladores são indicadores que procuram sinalizar quando os preços estão em “sobrevenda” ou “sobrecompra” – ou seja, se já “caiu muito” ou “subiu muito”.

Eles são construídos a partir de fórmulas matemáticas (existem vários tipos) mas, essencialmente, se apoiam na ideia de que os preços tendem a retornar às suas próprias médias.

Quando há um grande afastamento dos preços (em relação às médias), o oscilador sinaliza que aqueles preços estão em estado de “sobrecompra” ou “sobrevenda”.

Entre os osciladores mais famosos, está o oscilador estocástico (que o pessoal de mercado chama, simplesmente, de “estocástico”) e o Índice de Força Relativa (IFR).

A maioria dos osciladores é representada graficamente, em seu “estado ideal”, como uma onda senoidal, com as extremidades indicando os níveis de sobrecompra e sobrevenda.

Representação de uma onda senoidal

Eles são usualmente plotados em uma janela à parte, normalmente embaixo da janela onde estão os preços.

Observe o exemplo abaixo: Gráfico de preços das ações do Bradesco (BBDC4) com o oscilador estocástico na janela inferior.

Gráfico dos ações do Bradesco com oscilador estocástico

Os osciladores, de forma geral, têm a limitação de não funcionarem tão bem em ativos que estão em tendências “fortes”. Por isso, é comum que analistas usem outros indicadores (como rastreadores de tendência e indicadores de momentum) para “filtrar” os sinais dos osciladores.

Por exemplo, se os preços estão em forte tendência ou aceleração, os sinais de sobrecompra e sobrevenda dos osciladores são descartados.

Indicadores de momentum

Momentum é um termo que, em Inglês, significa “ímpeto”. Os indicadores de momentum são aqueles que tentam dar pistas sobre a aceleração de um movimento de preços.

Eles são muito interessantes para se usar junto com rastreadores de tendência, pois eles dão pistas se aquela movimentação está se acelerando ou não. Afinal, não adianta nada entrar em determinado ativo que está em tendência se aquela tendência está perdendo força.

Os rastreadores de tendência podem dar muitos sinais falsos (especialmente quando os mercados estão “de lado”) e, no início de uma nova tendência, o indicador de momentum pode dar pistas importantes se aquele movimento é “pra valer”.

O mais famoso dos indicadores de momentum é o “Movimento Direcional” (DMI – Directional Movement Index).

Os indicadores de momentum, assim como os osciladores, são usualmente plotados em uma janela separada, e a linha “para cima” indica aumento da velocidade.

Abaixo, uma imagem da GGBR4 (Gerdau) com o indicador DMI na janela inferior.

Gráfico das ações da Gerdau com indicador de movimento direcional

Indicadores de volatilidade

Os indicadores de volatilidade indicam, previsivelmente, o grau de volatilidade dos preços – ou seja, quão grande é a amplitude de movimento dos preços em determinado período.

Os indicadores de volatilidade são, tipicamente, construídos com base em desvio-padrão ou em um conceito conhecido como true range.

Os mais famosos indicadores de volatilidade são o ATR (Average True Range, que é baseado no True Range) e as Bandas de Bollinger (que são baseadas em desvio-padrão).

Inclusive, eu recomendo fortemente a leitura deste meu artigo sobre volatilidade (link abaixo), que faz menção a esses indicadores e explora um pouco melhor seus conceitos.

Leia aqui: O que é volatilidade (em finanças)

Indicadores de volatilidade têm múltiplas utilidades: Podem ser usados para posicionamento de stop loss (o ATR é particularmente efetivo para isso) ou em conjunto com osciladores e indicadores de momentum.

Uma “explosão” de preços, com alta volatilidade e confirmada por indicadores de momentum, costuma ser um sinal particularmente forte.

Já níveis de sobrecompra e sobrevenda acompanhados de baixíssima volatilidade costumam ser sinais pouco confiáveis. Os indicadores de volatilidade ajudam a confirmar os “bons” sinais.

Como escolher seus indicadores técnicos

No artigo sobre indicadores fundamentalistas, eu insisti na visão de que eles não devem ser usados isoladamente, mas sim em conjunto.

No caso dos indicadores técnicos, é interessante usá-los em conjunto, mas a regra aqui é um pouco mais flexível. Não é preciso usar um indicador de cada família e, em algumas técnicas e estratégias, é possível usar indicadores de uma única categoria.

Eu mesmo já vi alguns trading systems muito interessantes (e potencialmente lucrativos) que usam apenas médias móveis (várias médias móveis de diversos períodos e configurações), sem usar nenhum outro indicador das outras categorias.

Esses indicadores são a “caixinha de ferramentas” do analista técnico que busca algo além da mera interpretação visual dos gráficos. E cabe a cada analista, investidor ou trader definir o seu “pacote” ideal de indicadores (bem como suas configurações, que são altamente customizáveis).

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