16/12/2019 • • por Andre Massaro

Entenda a relação entre risco e retorno nos investimentos


Como dizia aquela frase clássica do economista Milton Friedman, “não existe almoço grátis”. O que o eminente economista quis dizer com essa frase é que, basicamente, não há “bônus” sem “ônus”. E, no caso dos investimentos, podemos dizer que retorno é o “bônus” e risco é o “ônus”.

No mundo das finanças, assim como na vida em geral, existem poucas verdades absolutas. E uma dessas verdades absolutas é que NÃO EXISTEM ALTOS RETORNOS COM BAIXOS RISCOS.

Para entender melhor como isso funciona, precisamos, basicamente, saber o que é “risco” e ter uma noção mínima e elementar de como funciona o mercado financeiro. Vamos ver as duas coisas a seguir:

O que é “risco”

Riscos são, de forma simplificada, “incertezas”. Uma coisa é mais arriscada quanto maior o grau de incerteza envolvido.

Porém, por uma questão de uso comum da linguagem, acabou se convencionando o uso da palavra “risco” para designar as incertezas com impactos negativos. Tecnicamente falando, ganhar na loteria também é um “risco”. Porém, como o desfecho dessa incerteza é positivo, não se usa a palavra risco nesse caso (mas, formalmente, se deveria usar).

Bem, deixando um pouco de lado as questões semânticas, no mundo dos investimentos o risco é traduzido por perda financeira real ou potencial. Sendo que “perda real” é aquela perda líquida, certa e irreversível. É o “perdeu playboy” do mundo das finanças… Uma vez que aconteceu, já era…

A perda potencial é aquela perda que ainda não foi realizada, mas, se o investidor precisar liquidar (transformar em “dinheiro vivo”) o investimento naquele momento, vai ter uma perda real (daí o termo “realizar a perda”).

A perda real acontece quando se liquida um investimento com prejuízo (por exemplo, vender uma ação por preço abaixo do valor de compra) ou quando, por alguma razão, aquele ativo financeiro perde todo o seu valor, resultando numa “perda total”.

Eventos de “perda total” no mercado financeiro não são, felizmente, tão comuns. As perdas totais ocorrem, no caso da renda fixa, quando um emissor dá “calote” no título (é o chamado “risco de crédito”) ou, no caso da renda variável, quando a empresa que emitiu uma ação vai à falência. Esses são casos em que o investimento “vira fumaça” e não há o que fazer.

A perda potencial é associada ao famoso “risco de mercado”, que é o risco que deriva das oscilações de preços de um ativo financeiro. Esse risco é expresso em termos de VOLATILIDADE, que é mensurada através de variância ou desvio-padrão.

A volatilidade é, em termos simples, o quanto um investimento “chacoalha” ao redor de seu próprio preço médio.

O mercado financeiro (explicado da forma mais simples possível)

O mercado financeiro é, essencialmente, um hub onde pessoas que precisam de dinheiro e pessoas que têm dinheiro sobrando se encontram. Nele, o dinheiro de quem “tem de sobra” flui para aqueles que precisam de dinheiro.

Esse fluxo do dinheiro acontece de duas formas: Através de empréstimos e financiamentos (que são os investimentos em renda fixa) ou através de capital de risco (que são investimentos em renda variável).

Leia meu artigo “Renda fixa e variável – entenda a diferença” para conhecer mais sobre as duas famílias de investimento.

Mas o dinheiro não flui de quem tem de sobra para quem tem faltando por magia, por caridade ou, simplesmente, porque “é bacana”. O dinheiro flui porque as pessoas que têm dinheiro sobrando esperam ter algum retorno. Ou seja, elas contam que esse dinheiro vai retornar para elas e, mais que isso, vai retornar com ganhos.

E as pessoas (estou usando “pessoas” para fins ilustrativos, mas usualmente são empresas e instituições financeiras) que tomam dinheiro, seja na forma de empréstimos e financiamentos ou capital de risco, fazem isso porque PRECISAM de dinheiro. E estão dispostas a pagar por esse dinheiro na forma de juros ou lucros.

Em circunstâncias normais, ninguém gosta de pagar juros ou repartir seus ganhos com outras pessoas. Por isso, quem toma dinheiro no mercado financeiro não faz isso de muito boa vontade (lembre-se, as pessoas pegam dinheiro porque PRECISAM dele).

Por exemplo, imagine que você tenha, agora, uma ideia de negócios que seja realmente espetacular e tenha absoluta convicção de que vai ser um sucesso. Você vai chamar outras pessoas para serem seus sócios só para “ser legal”? É claro que não! Nenhuma pessoa mentalmente sã quer ter sócios ou credores se tiver a oportunidade de não os ter!

Novamente, quem toma dinheiro no mercado financeiro faz isso porque PRECISA. E quem oferece um retorno maior (na forma de juros mais altos ou uma parcela maior nos lucros) o faz porque precisa DESESPERADAMENTE do dinheiro (do contrário, ofereceria retornos mais baixos).

E se uma pessoa precisa DESESPERADAMENTE de dinheiro é porque ela não está obtendo o dinheiro com facilidade. E, se a pessoa não está obtendo o dinheiro com facilidade, é porque as outras pessoas que têm dinheiro sobrando estão reticentes e enxergam aquela oportunidade de investimentos como uma potencial “furada”… Entendeu?

Conclusão…

Então, os retornos são altos PORQUÊ os riscos são altos… O alto risco “PRODUZ” o alto retorno. O alto retorno DERIVA do alto risco.

É uma questão, pura e simplesmente, de oferta e demanda. Se o dinheiro (oferta) está abundante, não tem porquê o lado “demandante” pagar mais caro. E se o lado da demanda se propõe a pagar mais caro pelo dinheiro (na forma de retornos mais altos), é porque o lado ofertante não está disponibilizando o dinheiro para aquele cara… E quando o lado ofertante restringe o acesso de alguém ao dinheiro, pode apostar que “aí tem”…

Por isso que não há (e nunca haverá) um investimento que seja, simultaneamente, de ALTO retorno e BAIXO risco. A não ser que a famosa “lei da oferta e da demanda” seja revogada. Mas eu não vejo algo assim acontecendo… Pelo menos não neste mundo!

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