12/01/2020 • • por Andre Massaro

O que é uma ação Blue Chip


Blue Chip vem do Poker. Aliás, finanças e poker têm muito mais em comum do que as pessoas imaginam. Muitas técnicas de money management usadas em investimentos e trading foram criadas e refinadas nas mesas de poker.

Mas não é disso que vamos falar. Blue Chip significa, literalmente, “ficha azul”. No poker, as fichas azuis são aquelas de maior valor e, por conta disso, se usa o termo “blue chip” para fazer uma analogia com as ações “mais valiosas” da bolsa (e aqui é importante colocar esse “mais valiosas” entre aspas bem grandes… Mais sobre isso adiante).

O uso de blue chip para designar ações vem dos Estados Unidos (naturalmente…) e começou em algum momento da década de 20 do Século XX.

O que define uma ação como Blue Chip

Aqui, a resposta fácil e rápida seria dizer, simplesmente, “as ações de maior valor” (assim como as fichas azuis são as de maior valor no cassino).

Mas uma ação blue chip é um pouco mais que isso. Ela é uma ação de maior valor, mas não necessariamente valor financeiro, e sim valor num sentido mais amplo e subjetivo.

As blue chips são as ações daquelas empresas “famosas” (no bom sentido, espera-se…), tradicionais e facilmente reconhecidas pelo público.

Nomes como IBM, General Electric, Coca Cola… Se você falar esses nomes em qualquer lugar do mundo, muito provavelmente as pessoas vão reconhecer. São exemplos de empresas blue chips americanas. Não são, necessariamente, as empresas mais lucrativas e “melhores”, mas são muito grandes, tradicionais, reconhecidas e dão a impressão de que “sempre estiveram lá”.

Aqui no Brasil, empresas como Petrobrás, Vale e Bradesco são imediatamente reconhecidas, mesmo por quem não tem proximidade com o mercado financeiro. Talvez não sejam reconhecidas fora do Brasil, mas são blue chips “locais”.

Mercedes, Sony, Nestlé… São exemplos de empresas não americanas reconhecidas mundialmente. São blue chips também.

Por isso, a questão do valor é subjetiva, pois envolve também valor de imagem e de reconhecimento (que não tem como ser mensurado).

Então, não há uma definição formal do que seja uma blue chip. Mas existe uma espécie de consenso intuitivo entre o pessoal do mercado financeiro (e inclusive quem é de fora, ainda que não conheça o jargão).

Outras características das blue chips

Alguns investidores, analistas e outros agentes podem criar suas próprias definições de blue chip, arbitrando parâmetros como faturamento mínimo, valor de mercado etc. Mas essas definições não são reconhecidas como oficiais. Por isso, as definições, em geral, se apoiam em adjetivos e parâmetros vagos e ambíguos, como “grande faturamento”, “reconhecimento público” etc.

Feita essa ressalva, vamos ver alguns fatores que definem uma blue chip:

  • Alto valor de mercado
  • Grande faturamento
  • Ser tradicional (não é um requisito, mas a maioria das blue chips atua há muitos anos)
  • Ser lucrativa (também não é um requisito, mas, se a empresa atua há muitos anos, presume-se que ela deve ser lucrativa a maior parte do tempo e ter alguma consistência…)
  • Ações com grande liquidez
  • Reconhecimento público

Por que é comum se recomendar investimentos em blue chips?

Muitos analistas e especialistas recomendam que se invista, preferencialmente, em blue chips. A razão principal é que são consideradas empresas mais sólidas e seguras, que “passaram pelo teste do tempo”.

Uma empresa madura e consolidada é (presume-se) mais difícil de “ser tirada de onde está”. Também é, supostamente, mais resiliente a crises e ciclos econômicos adversos. Então, são vistas como uma espécie de “porto seguro” para o dinheiro do investidor.

Obviamente que percepção é uma coisa e realidade é outra e, ocasionalmente, uma blue chip “vai para o buraco”. Mas é razoável imaginar que uma organização que exista há bastante tempo (e tenha uma certa dominância de seu ambiente) tende a ser mais estável do que alguém que acabou de “cair de paraquedas” no mercado…

Outro ponto importante é que, por terem mais volume (de ações negociadas na bolsa) e mais liquidez, as blue chips tendem a ser menos voláteis e menos sujeitas aos movimentos erráticos típicos das ações com menor liquidez.

Vantagens e desvantagens das blue chips

A principal vantagem, então, se torna obvia: Segurança.

A empresa blue chip tem menor chance de quebrar (risco da empresa) e tende a apresentar menor volatilidade nos preços das ações (risco de mercado).

Por outro lado, as blue chips, exatamente por serem empresas consolidadas, tendem a não ter um grande potencial de crescimento e a não gerar grandes lucros e dividendos em relação aos seus valores de mercado.

Por serem vistas como “porto seguro”, as ações blue chips raramente estão subvalorizadas em relação ao seu lucro (a ponto de gerarem um alto dividend yield – para aqueles que buscam renda) e, mais raramente ainda, se enquadram nos critérios de empresa cujo preço fica significativamente descontado em relação ao valor intrínseco (que é aquilo que buscam os investidores adeptos do Value Investing).

Então, como em tudo no mundo dos investimentos, se “troca” retorno por riscos mais baixos. Quem investe em blue chips concorda em sacrificar um pouco o potencial de ganhos para ter mais segurança, estabilidade e menos volatilidade.

Conclusão – Blue chips são para você?

A resposta para isso vai depender de seu perfil de investidor. Investidores mais agressivos, em grande parte das vezes, acabam tendo uma preferência por empresas menores, mais voláteis, de perfil mais especulativo e com maior potencial de crescimento.

Investidores mais conservadores podem ficar mais à vontade com abordagens como o Value Investing ou o Income Investing (investir em ações que pagam altos dividendos). Ou, mesmo, não investir em ações, em absoluto.

As blue chips são interessantes, então, para aquele investidor que está “no meio do caminho”, de perfil mais moderado. Ou, então, como parte da política de diversificação de investidores de outros perfis.

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