12/06/2020 • • por Andre Massaro

O que é Private Equity


Para os pequenos investidores, o investimento em empresas costuma ser restrito às ações negociadas em bolsas de valores e fundos de investimentos em ações. Porém, existe uma outra classe de ativos de renda variável, que é conhecida pelo nome em Inglês private equity.

O que significa private equity

Private equity significa “empresa de capital fechado” (ou seja, empresa que não tem ações negociadas em bolsas de valores). Então, a rigor, qualquer empresa de capital fechado, desde a gigante chinesa Huawei (que não tem ações listadas em nenhuma bolsa) até a sorveteria da esquina se enquadram, tecnicamente, como “private equity”.

Equity” é uma palavra, em Inglês, que seria equivalente, em Português, ao patrimônio líquido de uma empresa. A parte do “private” (de “privado”) é que, em Inglês, eles dizem que empresas “públicas” são empresas que disponibilizam suas ações ao público, através das bolsas. Em Português, uma empresa “pública” é uma empresa ligada ao Governo.

Em Inglês, então, uma empresa “privada” é aquela que não está “aberta ao público”.

Private equity no contexto dos investimentos

Como você deve suspeitar, quando grandes investidores (especialmente os institucionais, que são os mais ativos nesse mercado) falam em “private equity”, eles não estão se referindo à sorveteria da esquina…

Usualmente, quando se fala em private equity, se está falando em fundos de investimento que investem em empresas de capital fechado. Essas empresas costumam ser empresas já maduras ou empresas novas, com grande potencial de crescimento.

Normalmente, o que um investidor de private equity típico busca são empresas que tenham o perfil para se tornarem, em algum momento, empresas de capital aberto. A abertura de capital (IPO), de uma empresa, costuma ser um “rito de passagem” e o momento em que os investidores ousados, que apostaram na empresa quando ainda era fechada, fazem grandes fortunas.

Private equity e venture capital

Existem vários tipos de empresas que atraem os investidores de private equity. Alguns acabam se especializando em determinado perfil de empresa, ou mesmo criando fundos de investimento para investir em empresas com determinadas características.

Uma dessas “variações” é o que se chama de venture capital. Venture capital significa, literalmente, “capital de risco”.

Os investimentos em renda variável, de forma geral, já são conhecidos como “capital de risco”. Por isso, se você tem uma categoria chamada “capital de risco”, dentro de um grupo que já é chamado de capital de risco, você já deve ter percebido que é um “risco ao quadrado”.

Os investidores de venture capital buscam aquelas empresas novas, “recém-nascidas” e que dão sinais de ter um potencial de crescimento explosivo. Um caso muito comum são as startups de tecnologia, que costumam ter um altíssimo índice de mortalidade, mas, quando “vingam”, deixam pessoas bilionárias.

Leia aqui: Como ser um bilionário

Então, dentro do espectro de risco dos investimentos, podemos dizer que o venture capital é aquele investimento “tarja preta”, com risco altíssimo mas, também, com potencial de ganhos exponencial.

Outros tipos de private equity

Existem diversas “submodalidades” no universo do private equity. Tem investidores que são especializados em empresas mais maduras (late stage), que estão mais próximas de fazer a abertura de capital.

Tem também investidores especializados em empresas “quase quebradas”, que as adquirem na expectativa de recuperá-las. E tem, também, o chamado “investimento anjo”, que costuma ser investimentos de baixo valor em empresas novas, num estado ainda anterior ao venture capital. O investimento anjo costuma ser feito pelos amigos e parentes do fundador da empresa.

Risco e retorno – No pain, no gain

De forma geral, o private equity é considerado uma modalidade de investimento de alto risco. E, dentro dessa modalidade, existem variações de maior risco ainda.

Como já foi dito, o venture capital é considerado “risco estratosférico”. O mesmo vale para o investimento em empresas “semifalidas”.

São notórios os estudos e pesquisas que mostram que, praticamente no mundo todo, a maioria das empresas não sobrevive aos primeiros cinco anos. E a maioria das empresas que entra em regimes de recuperação ou concordata não costuma ter sucesso.

Por isso, o risco de perda total do investimento é bastante alto. Porém, se dá certo…

No mundo do private equity, quanto mais distante a empresa está da abertura de capital, e quanto mais próxima da falência, maior é o potencial de ganho. As empresas maduras, que já estão “quase no ponto” para fazerem seu IPO são aquelas que, no espectro de risco do private equity, são mais conservadoras e com potencial de ganho mais limitado (que, ainda assim, é um potencial muito maior do que o investimento em uma empresa típica, que já fez a abertura de capital).

Leia aqui: Entenda a relação entre risco e retorno nos investimentos

Como se investe em private equity

A principal forma de se investir em private equity é através do investimento direto. O investidor vai lá, compra quotas ou ações (numa transação privada) e “pronto”.

A outra forma é através de fundos. Os fundos de private equity costumam investir em um portfolio de empresas de capital fechado, na expectativa de que algumas vão morrer pelo caminho, mas umas poucas vão “vingar” e vão trazer um retorno que vai compensar por todo o resto.

Leia aqui: Entenda o conceito de “opcionalidade”

No Brasil, existem os FIPs (Fundos de Investimentos em Participações), que são uma modalidade de fundos estruturados que investem em empresas de capital fechado.

Uma outra possibilidade são holdings de capital aberto que investem em empresas fechadas. O investidor pode investir de forma indireta, comprando ações dessas holdings. Guardadas as devidas proporções, acaba sendo algo similar a um fundo imobiliário.

Fora do Brasil, os fundos de private equity são, tipicamente, organizados na forma de hedge funds, que são estruturas mais flexíveis, menos reguladas e, usualmente, destinadas apenas a investidores qualificados.

Leia aqui: O que é um hedge fund

Quem investe em private equity?

Private equity não é um tipo de investimento popular. Além do alto risco, uma outra característica é a baixíssima liquidez.

Pode se levar anos até que uma empresa de capital fechado fique “vendável”. Por isso, o típico investidor de private equity costuma ser alguém com “bala na agulha” e que não se importa em ficar anos com o dinheiro preso, sem ter perspectivas concretas de retorno.

Os fundos de private equity costumam ter uma cláusula de “lock up”, em que o cotista fica impedido de tirar seus recursos do fundo. Conforme o fundo, esse período de lock up pode ser de mais de dez anos.

Aqui, é importante ressaltar que estamos falando em “investir”, e não em “empreender”. No contexto do investimento em private equity, inclusive, é comum se referir ao empreendedor como “fundador”, em oposição ao “investidor”.

No caso do investimento anjo, o investidor é, normalmente, uma pessoa física que tem alguma ligação com o fundador (amigo ou parente). O investimento costuma ser baixo (geralmente na faixa de dezenas ou centenas de milhares de reais) e, para muitos, acaba quase sendo uma ‘doação”.

Nas outras modalidades, os investidores costumam ser pessoas físicas de alta renda, holdings familiares e os próprios fundos de private equity. Investidores institucionais (como fundos de pensão) costumam investir nesse segmento, normalmente, através dos fundos.

Conclusão

O investimento em private equity faz parte daquilo que, em alguns círculos, é chamado de “investimentos alternativos”.

Como as empresas de capital fechado não precisam seguir as mesmas regras de transparência e governança das empresas abertas, os riscos, para o investidor comum (que não tem uma equipe de contadores e advogados à sua disposição) são bastante altos (e isso para não falar na questão da liquidez e dos volumes investidos, que não costumam ser baixos).

Por isso, para os pequenos investidores, é mais recomendável que eles permaneçam na “redoma de proteção” das bolsas de valores e do mercado financeiro regular, que oferece mais segurança e mais mecanismos de proteção ao investidor.

No Brasil, infelizmente, o mercado de private equity não é tão desenvolvido. Isso é uma pena, pois um mercado de private equity dinâmico acaba sendo um impulsionador do empreendedorismo e, nunca é demais lembrar: Toda empresa de capital aberto já foi, em algum momento, uma empresa de capital fechado.

Um mercado de private equity forte leva, inevitavelmente, a um mercado de capitais forte.

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